
É normal as pessoas buscarem inovação. É normal que, para uma estrela da música ou do cinema, o cantor ou ator tente se diferenciar com algo que deixe as pessoas deslumbradas, impressionadas ou até intrigadas. Para uma Princesa Daiana da vida podemos dizer, admiradas. Agora me digam vocês, cadê as cabeças pensantes por trás da Lady Gaga?
A última da cantora foi usar um vestido de carne para comparecer ao MTV Awards. Fala sério, além de sustentar uma imagem tosca e repugnante -teria outro nome para isso?- a cantora ainda comprou briga com instituições que condenam os maus tratos a animais, não é pra menos. Não importa muito se o material que ela usa é sintético ou de carne verdadeira, há uma idéia inserida em cada comportamento nosso, e esse não foge à exceção.
O que me preocupa é que, como figura pública que possui cerca de 6,297,752 seguidores no twitter, até a data atual, se comportar de maneira impensada, ou pensada errada, pode promover reações inesperadas. Parece que a cantora está passando por uma pequena crise de imagem depois dessa aparição, principalmente pela crítica dos vegetarianos. Eu espero que ela não invente de fazer um chapéu de cérebro pra poder mostrar ao mundo que ela tem um, pois a justificativa da cantora pra dizer o porquê de utilizar tal vestimenta foi a seguinte: Se não defendermos o que acreditamos e não lutarmos pelos nossos direitos, logo teremos tantos direitos quando a carne que cobre nossos ossos. Eu não sou um pedaço de carne.
"Eu não sou um pedaço de carne" é ótimo, primeiro porque não deixa de ser, mas devia ter pensado nisso antes de começar a construir a sua imagem para o mundo. Dica para você Gaga - e para o seu Relações Públicas, claro- escreve um livro, sim pode ser sobre um assunto qualquer, convenceria mais do que ficar dando justificativas sem fundamento. Fiquei com vergonha por ela em sua entrevista ao programa The Ellen Degenere Show, como diz uma amiga minha, meástica (palavra inventada pra traduzir o sentimento de vergonha por um outro ser) total!
Agora eu me pergunto, uma cantora com milhões de seguidores no twitter veste carne, imagina se o modelito da criatura vira moda? Refletiu?
3 comentários:
Adorei a referência a minha pessoa! =P
Mas não sei se concordo plenamente com a sua crítica. Acho que Gaga exagera em muitas maneiras, mas não estou mais surpresa do que já estive em relação à ela por usar essa "vestimenta". Não a tenho como exemplo para nada, mas admiro algumas atitudes, no sentido de que ela esteve tentando fazer sucesso há muito tempo e percebeu que nunca faria se não fosse vulgar e chamasse atenção. O que eu entendo da sua atidude em geral é que é uma crítica em relação à essa necessidade de aparecer para ser reconhecida e não o contrário. Resumindo, não acho que um vestido de carne é a melhor maneira para mostrar seu ponto de vista, mas não acho que seja pela pura vontade de chocar.
Acho que o mundo, em geral, chegou à um nível de "liberdade de expressão" que alguém tinha que fazer o que ela fez para percebermos que existe um limite.
No final do dia, pouco me importo, porque ela vai continuar ganhando milhões por fazer o que faz, e eu, mera mortal, nasci para ser feliz, e sou muito "k-kinda busy" para continuar esse comentário gigante! =P
Bom texto!
Desculpem a minha visão acanhada, mas também não consigo ver essa atitude como uma crítica a coisa alguma! Não enxergo nada de positivo nesse cúmulo, neste exagero que é a personagem Lady Gaga.
Apenas avalio que este seja um triste reflexo dos consumidores da sua música, dos espectadores da sua arte, dos homens e mulheres que consomem a sua imagem de estrela pop e de mulher dessa moderníssima sociedade. Ninguém está interessado no conteúdo necessariamente, pois, aparentemente, o público é movido pela novidade, pelo diferente, por pior e mais degradante que ele seja. A audiência mais alta é a da Fazenda, do Big Brother, de Bocão. Não é isso que queremos? Ela é o que o público pede.
Mas, isso exime Gaga da responsabilidade pelo seu apelo visual nojento? Não, mesmo! Lamentável que ela tenha se rendido a esse apelo para alcançar a posição que alcançou.
Esse espetáculo animalesco, aos meus ouvidos, ressoa como uma pergunta no meu íntimo (e que acho que todos deveriam se fazer): se esse é o único meio (será mesmo?) de chegar lá, vale a pena? Eu faria isso? É normal, é correto abrir mão da DIGNIDADE, do RESPEITO a si próprio e a terceiros para ser famosa (o), bem sucedida (o), rica (o), etc?
A MINHA resposta é NÃO. A dela, creio que seja sim. Reflexo de uma crise de ética em que se encontra o nosso Mundo sem consenso sobre seus próprios padrões de normalidade. Ou talvez, trata-se de uma crise de autoconsciência, de auto-afirmação da Humanidade.
Lembrei-me agora do documentário, que já foi reproduzido como filme, e que atualmente é veiculado pela GNT, sobre a vida de Merylin Monroe. Ela foi a Lady Gaga do tempo dela: apelando ao máximo para alcançar a fama, para vender–se ao público. E foi também um ser humano em desgraça, incapaz de se reconhecer no seu “personagem” e de ser reconhecida para além das suas extravagâncias (e pior, incapaz de perceber isso com lucidez). Quando assisto aos episódios de Blond – nome da série a que me refiro – tenho pena de Norma Jean – Merylin Monroe. E tenho pena de Lady Gaga ao ver as fotos do MTV Awards e da sua ida a um aeroporto vestida com roupas íntimas e cabelo azul.
Mas, sobretudo, tenho pena de nós, porque já não somos capazes de nos chocar com isso e com nada mais.
O fato desse tipo de distorção do direito à liberdade de expressão ser aceito por todos nós como uma coisa comum ou pouco relevante para as nossas vidas é um grande engano, se achamos que nossa omissão crítica não significa nada. Somos coniventes quando isso faz parte do nosso “normal”! Aplaudimos e compramos essas idéias, quando elas já nos passam despercebidas.
E nos iludimos se achamos que isso não nos afeta, afinal, da mesma maneira que somos obrigados a vê-la trajada bizarramente nos sites e canais de TV, somos progressivamente obrigados a aceitar os pequenos e abusivos comportamentos degradantes e aviltantes das pessoas na nossa sociedade. Se não queremos abrir a boca para reclamar do vestido de carne, da pessoa que se comporta como um animal no trânsito ou do nosso vizinho que é um grande mal educado, ao menos não nos rendamos a incorporar isso ao “nosso normal”! Não é e não deve ser! Do contrário, um dia, sem que notemos, seremos nós a apelar para esse tipo de conduta ou os nossos filhos o farão, pois serão criados conforme essa absurda “normalidade”! Quem sabe já não praticamos e aceitamos comportamentos deturpados como o da cantora, na medida da nossa realidade?
O vestido de Lady Gaga me chocou. E, pelo menos a mais uma pessoa também. Ainda bem!
Pri, com certeza o vestido não era de verdade, pois se fosse, estaria fedendo e com sucos e sangue escorrendo pelas pernas dela... ECA!!!!!!!!!
Eu achei simplesmente nojento, mas não achei que seria ofensivo aos defensores de animais além do normal, pois nós comemos carne de boi o tempo todo e no supermercado elas estão ali à mostra.
Eu, pessoalmente não gosto da Lady Gaga, pois acho que ela vende o corpo, como quase todas as outras atuais pop stars, ao invés de vender a música. Mas tenho que reconhecer seu avant-gardismo e criatividade como artista. O problema é que tenho a impressão de que isso não vem do cérebro dela, mas de uma equipe de estrategistas. O que a torna um simples cabide para as idéias que vendem. Ou seja, duvido que ela seja uma artista de verdade, capaz de compor e cantar suas próprias canções. Se ela é autêntica, não está conseguindo passar confiança em sua autenticidade.
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