quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Sociedade do Umbigo



Quando eu era pequena, na biblioteca da escola em que eu estudava tinha um conto infantil que era um estímulo à minha ida ao mundo dos livros. Entediada no mundo adulto, lembrei desse episódio e tentei recordar o nome do conto. Não lembrei. Sabia que a palavra "fósforo" fazia parte do título. Não foi muito fácil achar alguma coisa, mas em um dia comum (colocação para dar um clima de suspense), eu simplesmente achei! O nome do livro é "A Pequena Vendedora de Fósforos", nome original: The Matchgirl. Não posso esconder que a emoção foi muito grande.

Nome do livro desvendado, eu logo comecei a pesquisar sobre ele. O conto é do escritor Hans Cristian Andersen, nascido em Odense em 1805.

Segundo os registros, ele escreveu vários livros infantis conhecidos. A partir desse momento iniciei a minha auto-análise. Vamos lá, se existiam tantos livros para crianças, porque eu me apaixonei logo pelo "A Pequena Vendedora de Fósforos"? Eu me fiz essa pergunta por um único motivo: a estória é super triste! -Pausa para declarar que eu fui uma criança super feliz, tinha uma família ótima, muitos brinquedos e um cachorro. Mas, se você vir o filme vai perceber o porque o conto é triste.

Após os momento de análise sobre o assunto, eu calculei que o meu amor ao conto se daria por duas razões:

1 - Eu ficava com saudade de casa e da minha mãe, e por isso ia ler o livro onde a menina também desejava encontrar com sua a mãe.

2 - Eu não entendia direito o final do livro, não me sentia satisfeita com ele e então eu sempre retornava para ver se o final da história tinha mudado.

Olha, você vai me dizer que na primeira opção existe mais sanidade, mas criança é criança, não vai acreditar em reais possibilidades. Então, eu acredito que minha motivação era em busca da razão nº 2.

Trazendo a narrativa do conto para os tempo atuais, eu vou dizer claramente que o que acontece com a menina da estória ocorre quase todos os dias com crianças do mundo. Órfãos quase não têm chance à dignidade. Uma ajudinha aqui, outra alí, mas
mudar a realidade de crianças de rua, pobres e sem educação está difícil - sem discursos clichês, please. É muito raro olharmos para o lado e "comprarmos fósforos". Não, eu não sou uma exceção a isso, estou inclusa na sociedade que na maior parte do tempo, olha apenas para sua própria vida, para o seu próprio umbigo, e esquece que fazemos parte de um coletivo - culpa do sistema capitalista? Fica para outro post a discussão.

Sem mais delongas, pois sou contra textos muito grandes em blogs de desconhecidos (as pessoas estão muito ocupadas #consciência). Está aqui um curta com a estória que ilustra bem a sociedade do umbigo. Se der tempo assistir me diz o que achou, estou ampliando os pontos de vista sobre a obra.

Merci les amis! À tout à l'heure. =)



2 comentários:

Daniel Couvignou disse...

Gostei do seu blog e dos posts, Pri. Continue firme e forte porque já tem mais um leitor. Rs.

Quanto ao vídeo, deixando um pouco de lado a questão social, esse conto me chamou atenção para a efemeridade das coisas que nos "aquecem". São os nossos desejos e sonhos que acabam se apagando diante das dificuldades.

On se parle.
Bisous!

Priscila_Sodre disse...

Dan!Que surpresa você aqui!obrigado pelo comentário, que a propósito, despertou um outro ver, isso é ótimo!
Pois é, esse blog surgiu do nada e descobri uma coisa que me faz relaxar e acalmar. Seja ler os blogs interessantes, seja escrever algo válido.
Já vi que Vossa Senhoria tem um também. Seguirei também!
Vamos nos falar sim, e em francês, até porque uma pessoa (eu) que topa fazer aula sábado a tarde de francês, é realmente vontade de aprender. Preciso estímulos =D